Redação Ergonomia no TrabalhoEquipe editorial do portalPublicado em 08/11/2026

A Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) realiza no dia 25 de novembro, em São Paulo, um encontro dedicado à gestão dos riscos psicossociais, à ergonomia e à qualidade de vida no trabalho. A programação inclui a assinatura de um termo de cooperação com a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO).

A proposta do evento é tratar os três temas de forma integrada, e não em separado. A apresentação do encontro parte de uma relação de mão dupla: problemas ergonômicos podem contribuir para o estresse mental, e condições psicossociais ruins podem intensificar dores, desgaste e esgotamento dos trabalhadores.

Programação e participantes

Estão previstas palestras sobre a gestão dos riscos psicossociais, sobre a interface desse tema com a ergonomia e sobre a relação entre qualidade de vida no trabalho, ISO 45003 e governança. Um case empresarial deve mostrar como a integração desses aspectos pode ser aplicada dentro das organizações.

A abertura institucional fica a cargo de José Antonio Coelho Júnior, presidente da ABQV. Ana Carolina Peuker, diretora de Mercado e Expansão da associação, está entre os participantes. A assinatura do termo com a ABERGO está marcada para as 10h40 e aproxima as duas entidades em temas de saúde, segurança e condições de trabalho.

Serviço

  • Data: 25 de novembro
  • Horário: das 8h às 11h30
  • Local: Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), Rua Martiniano de Carvalho, 965, Bela Vista
  • Formato: presencial e on-line
  • Inscrições: valores e modalidades na página oficial do encontro

O que isso significa para a empresa

O encontro é um espaço de debate, e o termo de cooperação entre as associações não cria nenhuma obrigação legal. A ligação entre ergonomia e fatores psicossociais, porém, já aparece na NR-17. A norma inclui a própria organização do trabalho entre as condições de trabalho que devem ser adaptadas aos trabalhadores (NR-17, item 17.1.1.1). Essa organização deve considerar normas de produção, exigência de tempo, ritmo de trabalho, conteúdo das tarefas e os aspectos cognitivos que possam comprometer a segurança e a saúde (NR-17, item 17.4.1). O tema é aprofundado no nosso guia de ergonomia organizacional.

Na prática, isso entra no processo de avaliação. A empresa deve fazer a avaliação ergonômica preliminar (AEP) das situações de trabalho que demandam adaptação (NR-17, item 17.3.1), e os resultados integram o inventário de riscos do PGR (NR-17, item 17.3.5). Os empregados devem ser ouvidos na AEP e na AET (NR-17, item 17.3.8). A AET passa a ser exigida, entre outros casos, quando sugerida pelo acompanhamento de saúde do PCMSO (NR-17, item 17.3.2, alínea c). Para entender quando cada uma se aplica, veja AEP ou AET: qual a empresa precisa.

A liderança também tem papel definido. Os superiores hierárquicos diretos devem ser orientados a facilitar a compreensão das atribuições, manter o diálogo aberto, facilitar o trabalho em equipe e estimular tratamento justo e respeitoso (NR-17, item 17.4.7). Organizações com até 10 empregados estão dispensadas desse item (NR-17, item 17.4.7.1).

Alguns passos ajudam a aproximar as duas frentes dentro de casa:

  • cruzar as queixas registradas no PCMSO com dados de ritmo, metas e exigência de tempo de cada setor;
  • incluir perguntas sobre organização do trabalho e carga mental na AEP, e não só sobre mobiliário e postura;
  • prever planos de ação no PGR para as medidas que saírem da avaliação (NR-17, item 17.3.6);
  • preparar os gestores diretos para os pontos do item 17.4.7.

Quem quiser se aprofundar na dimensão mental da atividade encontra mais detalhes no texto sobre ergonomia cognitiva.

Com informações da Revista Proteção. Imagem: Divulgação Abresst.

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